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Jogos sem jogadora

Subtítulo: da ilusão de soberania


-Eu não quero te perder
*Mas quem disse que você já me ganhou?
-Eu te quero
*Mas eu não sou de ninguém.


(Em um verão frio)

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Outras notas

Sinestesia

Desejo. Saudade. Presença. Palavras doces, ternas Cortantes Acalanto nos braços Textura da pele lisa, serena Palavras no silêncio Silêncio no instante Delírio de que o tempo possa parar Mas a fauna anuncia que o dia está se acendendo Pássaros e seus cantos preveem a manhã Um galo insiste em marcar o tempo Levanto-me, visto-me Respiro os primeiros ares da manhã Muitos tons de céus já observados dali Matizes de azul, púrpura e dourado E de forma inédita, algo que também sempre nos testemunha: as nuvens, desenhos móveis, perfeitos, do tempo que nunca cessa. Bom dia. (Em um verão febril)

Início – primeira vez – origem – princípio – o melhor de mim – o pior de mim

[Uma personagem. Ambiente com baixa luminosidade. Ao longo da narrativa, outros três personagens iluminam com suas lanternas o espaço e o corpo daquela personagem. Uma caixa metálica fosca, velha, com rodas quadradas.] A primeira vez foi num parque de diversões. Até que enfim a hora marcada do trem. Mas aquilo me soou estranho. O que na minha imaginação poderia ser prazer e emoção tornou-se apenas um compromisso. O gostoso da brincadeira é o brincar. Que coisa estranha marcar, agendar a data e o horário para ir se entreter. - Você tem direito a cinco fichas. Pode escolher seus brinquedos. Isso era uma das partes geradoras de todo aquele superficialismo. Eu não precisara nunca de fichas ou ingressos para me divertir. E como poderia parar no meio da brincadeira, caso não mais quisesse continuar? Nem pensava em imprevistos possíveis, mas no simples desejo de não querer ir além. É certo que quem não aguentasse poderia gritar, espernear-se, chorar, e então eles parariam. Ma...