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Em tempo


A música que oscila
entre o mais doce
e o mais agressivo.
Um tempo
Uma pausa
Um silêncio maior
Uma espera

Uma voz que diz
o não esperado
de uma leveza
que chega a cavar
profundo

Não há legendas
Há certezas
perguntas
e olhares diretos

Sem intermediários
Vontade incessante
de ouvir muitas
muitas vezes
um instrumental

Ensaios de uma
obra não acabada

Ensaios de algo
que não tem
fim próximo

Ensaios de aproximação

Ensaios de percepções
e escutas

Ensaios de falas
que atravessam

Ensaios de horas
que não passam

Ensaios que
esgotam mas
que são desejados
para continuarem

Ensaios de falas
nunca ditas

Ensaios de
organicidade
 
comunicabilidade

sintonia

alma

sustentação.

Imagem linda. E músicas tão lindas também.

(Madrugada de primavera dos "amores inconfessos")

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Outras notas

Sinestesia

Desejo. Saudade. Presença. Palavras doces, ternas Cortantes Acalanto nos braços Textura da pele lisa, serena Palavras no silêncio Silêncio no instante Delírio de que o tempo possa parar Mas a fauna anuncia que o dia está se acendendo Pássaros e seus cantos preveem a manhã Um galo insiste em marcar o tempo Levanto-me, visto-me Respiro os primeiros ares da manhã Muitos tons de céus já observados dali Matizes de azul, púrpura e dourado E de forma inédita, algo que também sempre nos testemunha: as nuvens, desenhos móveis, perfeitos, do tempo que nunca cessa. Bom dia. (Em um verão febril)

"Popatapataio"

Ele (3a.) brinca com espelho, objeto de risco aparente. Ela (26a.) o adverte. Ele guarda. Ela não vê. Ela abre o armário para pegar uma blusa. O espelho cai. Um corte no dedo. Gotículas de sangue sobre o chão, ainda limpo. Silêncio, respira, dorificação . Ela vê estrelas de dor. Ele vê com estranheza a dor e as estrelas. Ele: Tia, tira esse machucado. Ela: Só o tempo agora. Ele: Ah, tá. (E sorri com leveza) O tempo é o pó pra tapar o talho. (...)(?)