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Morfina

Estou.
Sou.
Ardo.
Existo.
Gosto.
Gozo.
Assumo o risco.
Risco.
Traço frágil.
Que corta.
Que contorna.
O limiar?
Produz-se o in-finito.
A lua que não enxergamos tão cheia assim.
O mesmo céu que recobriu, nos cobriu.
Descobriu.
Está claro em cores:
À nossa frente, a lua grande nos oferece um bom dia.
Do lado oposto, o sol aponta o dia a-penas,
nem tão novo assim.
(O que me lembra que o bom é por minha conta)
Iludida?
Necessário isso se faz.
Sem controle.
Assim espero.
Assim desejo preferir.
A vida se bordeja em ausências.
Presente
alguém alivia minha dor.
Live and Leave. 

(Escuchando_ Carol Gold_Copyright 2012 Jafe Parsons)

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Sinestesia

Desejo. Saudade. Presença. Palavras doces, ternas Cortantes Acalanto nos braços Textura da pele lisa, serena Palavras no silêncio Silêncio no instante Delírio de que o tempo possa parar Mas a fauna anuncia que o dia está se acendendo Pássaros e seus cantos preveem a manhã Um galo insiste em marcar o tempo Levanto-me, visto-me Respiro os primeiros ares da manhã Muitos tons de céus já observados dali Matizes de azul, púrpura e dourado E de forma inédita, algo que também sempre nos testemunha: as nuvens, desenhos móveis, perfeitos, do tempo que nunca cessa. Bom dia. (Em um verão febril)

"Popatapataio"

Ele (3a.) brinca com espelho, objeto de risco aparente. Ela (26a.) o adverte. Ele guarda. Ela não vê. Ela abre o armário para pegar uma blusa. O espelho cai. Um corte no dedo. Gotículas de sangue sobre o chão, ainda limpo. Silêncio, respira, dorificação . Ela vê estrelas de dor. Ele vê com estranheza a dor e as estrelas. Ele: Tia, tira esse machucado. Ela: Só o tempo agora. Ele: Ah, tá. (E sorri com leveza) O tempo é o pó pra tapar o talho. (...)(?)