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Destino




Eu sou aquela coruja
salva depois de um ataque
olhos esbugalhados, um deles para fora.
Pega por um moço
que me levou
a quem soubesse me tratar.

Eu sou essa coruja
cuidada por um,
por outro e outro
Que pensei que pudesse levantar voo e
que no menor desaviso
paralisei no ar.

Eu sou a coruja
que o gavião veio
e pegou.

Do destino não se voa.


Para Gustavo.
Depois de várias histórias animalescas... coruja, maritaca, borboleta, periquito, gavião, gato, rato.

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Outras notas

Sinestesia

Desejo. Saudade. Presença. Palavras doces, ternas Cortantes Acalanto nos braços Textura da pele lisa, serena Palavras no silêncio Silêncio no instante Delírio de que o tempo possa parar Mas a fauna anuncia que o dia está se acendendo Pássaros e seus cantos preveem a manhã Um galo insiste em marcar o tempo Levanto-me, visto-me Respiro os primeiros ares da manhã Muitos tons de céus já observados dali Matizes de azul, púrpura e dourado E de forma inédita, algo que também sempre nos testemunha: as nuvens, desenhos móveis, perfeitos, do tempo que nunca cessa. Bom dia. (Em um verão febril)

"Popatapataio"

Ele (3a.) brinca com espelho, objeto de risco aparente. Ela (26a.) o adverte. Ele guarda. Ela não vê. Ela abre o armário para pegar uma blusa. O espelho cai. Um corte no dedo. Gotículas de sangue sobre o chão, ainda limpo. Silêncio, respira, dorificação . Ela vê estrelas de dor. Ele vê com estranheza a dor e as estrelas. Ele: Tia, tira esse machucado. Ela: Só o tempo agora. Ele: Ah, tá. (E sorri com leveza) O tempo é o pó pra tapar o talho. (...)(?)